Calendário eleitoral de 2026: TSE aprova prazos e regulamenta o uso de inteligência artificial nas campanhas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu um importante passo para garantir a transparência, a segurança jurídica e a regularidade nas eleições gerais de 2026.
Foram aprovadas as resoluções que definem o calendário eleitoral e regulamentam o uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas eleitorais. Referidas medidas têm grande relevância, tanto para os profissionais da área jurídica, quanto para os partidos e candidatos que devem cumprir as novas disposições.
Calendário eleitoral de 2026: prazos e regras para candidatos e partidos
O TSE definiu as datas que regulamentam todo o processo eleitoral, desde a migração partidária até a votação. de maneira a garantir o cumprimento dos prazos legais e a segurança jurídica durante a execução do pleito.
Algumas das principais datas incluem:
Desincompatibilização: a determinação de afastamento de autoridades dos cargos para concorrer à eleição segue prazos que variam de três a seis meses.
Registro de partidos e federações: até o começo de abril, partidos e federações que vão apresentar candidatos nas eleições de 2026 devem ter os estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral.
Domicílio eleitoral e renúncia para concorrer a outros cargos: também a seis meses das eleições, no começo de abril, pessoas que pretendem disputar cargos em outubro devem já ter definido o local onde vão se candidatar.
Regularização e novos títulos eleitorais: até 6 de maio, quem vai votar pela primeira vez precisa fazer o alistamento eleitoral — processo obrigatório para quem deseja participar da eleição. Já quem mudou de endereço ou quer alterar o local de votação deve atualizar o cadastro.
Convenções partidárias: o período de escolha oficial de candidatos ocorre entre 20 de julho e 5 de agosto.
Registro de candidatos: até o dia 15 de agosto, partidos precisam registrar os candidatos escolhidos para disputar as vagas em jogo.
Propaganda eleitoral: a propaganda começa no dia 16 de agosto, dia seguinte ao fim do prazo para o registro de candidaturas. Isso vale para a campanha nas ruas e na internet.
Turnos de votação: o primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. O segundo turno, se houver, vai ocorrer no dia 25 de outubro.
Diplomações: as diplomações dos candidatos eleitos ocorrem nos tribunais regionais eleitorais e no Tribunal Superior Eleitoral até o dia 19 de dezembro.
Essas datas são essenciais para a organização das campanhas, garantindo previsibilidade e adequação das ações partidárias e de seus candidatos, além de assegurar o cumprimento das obrigações legais, como registro de candidaturas, propaganda eleitoral e prestação de contas.
Uso de inteligência artificial nas eleições: regulamentação e limitações
A inteligência artificial (IA) tem sido cada vez mais utilizada nas campanhas eleitorais, especialmente no campo da análise de dados e engajamento digital. Com isso, surgem desafios relacionados à transparência e à manipulação de informações, o que motivou o TSE a regulamentar o uso dessas tecnologias.
A nova regulamentação estabelece as seguintes diretrizes:
Proibição do uso de IA para criar ou disseminar conteúdo eleitoral sem a devida rotulagem. A intenção é garantir que o eleitor saiba quando está sendo impactado por uma campanha que utiliza IA, seja para gerar conteúdo, seja para influenciar decisões eleitorais.
Vedação à manipulação de dados e imagens: a modificação de vídeos, fotos ou áudios por IA, especialmente com o intuito de enganar ou desinformar o público, será tratada como uma infração grave.
Responsabilidade solidária de plataformas digitais: as empresas que fornecem plataformas digitais, como redes sociais e mecanismos de busca, também serão responsabilizadas por conteúdos eleitorais manipulados ou falsificados, em conformidade com as novas disposições.
Proibição do uso de IA em sistemas de recomendação de conteúdo e anúncios eleitorais, que podem influenciar indevidamente o eleitorado. O objetivo é assegurar que a escolha do eleitor seja genuína e não influenciada por algoritmos.
A regulamentação visa criar um ambiente eleitoral mais transparente, onde a utilização de novas tecnologias, como a IA, seja devidamente supervisionada e respeite os direitos dos eleitores.
Além disso, a medida alinha o Brasil com práticas internacionais que já buscam regular a utilização de IA em processos eleitorais, especialmente após os impactos da desinformação nas últimas eleições.
Impactos da regulamentação: o papel dos advogados e profissionais de Direito Público
A aprovação das resoluções e a regulamentação do uso de IA terão um impacto significativo para advogados especializados em Direito Eleitoral, que deverão orientar seus clientes (partidos e candidatos) sobre o cumprimento das novas regras. Os principais pontos de atenção incluem:
Adequação das campanhas ao calendário eleitoral: advogados devem estar atentos aos prazos para registros de candidaturas, convenções partidárias e propaganda eleitoral, garantindo que seus clientes cumpram todos os requisitos legais.
Compliance com a regulamentação do uso de IA: advogados também deverão acompanhar de perto o uso de IA nas campanhas, certificando-se de que todos os conteúdos criados com essas tecnologias estejam devidamente rotulados e não infrinjam as normas de transparência e ética eleitoral.
Ações de fiscalização e contestação: será necessário realizar a fiscalização das campanhas eleitorais para verificar a legalidade do uso de IA, além de assessorar a atuação dos candidatos diante de eventuais ilegalidades relacionadas a manipulação de conteúdo e dados.
Garantindo a legalidade nas eleições de 2026
O TSE tem demonstrado um esforço contínuo para garantir a segurança jurídica e a transparência no pleito de 2026.
A regulamentação do uso da inteligência artificial, nas campanhas eleitorais, é uma medida inovadora que visa prevenir a manipulação e o uso indevido de dados dos eleitores, ao mesmo tempo em que assegura um processo eleitoral mais ético e responsável.
Como profissionais do direito público e eleitoral, é fundamental acompanhar as mudanças legislativas e regulamentares, a fim de orientar adequadamente partidos, candidatos e comitês de campanha na conformidade com as normas eleitorais.
O cumprimento das novas resoluções do TSE será crucial para o êxito da campanha eleitoral e para a preservação da integridade do processo democrático brasileiro.
Escrito por
Maria Luiza Melo de Paiva MartinsFundadora do Blog Jurídico Jurisconsultas. Especialista em Contratações Públicas, com Pós-Graduação 'lato sensu', pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (2025). Especialista em Direito Constitucional e Governança Pública, com Pós-Graduação 'lato sensu', pela Pontífica Universidade Católica de Minas Gerais (2022). Graduada em Direito pelo Centro Universitário Newton Paiva (2020). Sócia da Sociedade de Advogados Arthur Guerra Advogados Associados. Atuando, principalmente, nos seguintes temas: Direito Administrativo Municipal, Contratações Públicas e Licitações, Direito Constitucional e Direito Eleitoral.
